terça-feira, 4 de setembro de 2012

É FOGO!




É fogo! 
Morar nas favelas de São Paulo
É fogo!

Tudo queima
A angústia e o medo 
São companheiros de sono

É fogo! 

Fogo que arde e se vê...
Ferida que dói, que sente
Que machuca a alma

É fogo!

Os olhos lacrimejam
Com a tristeza
E com a fumaça que sobe alta
Alta e negra fumaça negra 

É fogo!

Os guerreiros perdem as geladeiras
Os fogões, as roupas, os documentos
As lembranças, as forças...

É fogo!

Tudo se perde
Perde-se tudo
Chega a faltar o chão
A coragem... Falta ar!
Quando tudo começa a queimar

É fogo!

Os barracos desabam
E madeiras queimam
Como fogueira de São João
Mas nem as preces aos santos
Evitam o choro sofrido de seu João

É fogo!

As casinhas tão pequenas
Que papai Noel nunca visitou
Agora viram fumaça
Junto com os sonhos
De dias melhores

É fogo!

Famílias desalojadas
Sem roupas, comidas
Sem moradas
Sem auxílio, recursos
Sem nada...

É fogo!

Da zona sul, à zona norte
Da zona leste à oeste
É combustão 
Imobiliária especulação

É fogo!

E tal qual Roma
As favelas queimam
Virando cinzas
Na cidade cinza

E o povo só o pó
Pois Existe um Nero em SP.




“Outra versão famosa, porém desmentida pelos historiadores, é de que o imperador Nero teria ordenado o incêndio com o propósito de reconstruir a cidade de acordo com um projeto arquitetônico que a tornaria ainda mais majestosa.” fonte Wikipedia





Caranguejúnior

Um comentário:

André Dia(s,z)? disse...

É foda!

Muito bom, Junião!