sexta-feira, 6 de agosto de 2010

CABEÇA DE POETA





Quero despachar
poesia postal
para o fim do mundo
para desarmar corações atômicos
de bombas humanas

Quero jogar
poesia band-aid
nos corpos apedrejados
de mulheres (in)fieis
para cura dos poematomas

Quero lançar
poesia lacrimogênea
na faixa 
sem custo a Gaza
sem foguetes e gaze

Quero atirar
rajadas de poesias perdidas
para serem encontradas
pelas cabeças inpensantes
e almas sebosas

Quero espalhar
poesia diazepam
pelo chão da cidade
para os suicidadãos
que mergulham em avenidas

Quero enfiar
poesia crua
por goela abaixo
dos homoanimales sapiens
desse mundo cão

Quero jogar
poesia molotov
para incendiar pensamentos
derreter ódios do oficio
e queimar violências

Quero entregar
poesia Baryshnikov
para os dançarinos da política
batedores de carteiras de trabalho
meros artistas do coliseu Brasileiro

Sim... quero acordar
lavar a cara embriagada
e sentir a nostalgia
de pensar que o que quero
não passará de ilusão de cabeça de poeta...







Caranguejúnior

Um comentário:

André Dia(s,z)? disse...

É,JR! Mas a ilusão do poeta faz bem! È um dom precioso, pra gente não enlouquecer, dizem que poeta é louco, mas seilá, é uma loucura positiva,né? Em vez de sairdando tiro, a gente sai cantando versos!